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Literatura e Imprensa

2020-04-29

DOSSIÊ: LITERATURA E IMPRENSA

PRAZO PARA SUBMISSÃO: 31/10/2020

 

A partir das últimas décadas do século XIX a imprensa torna-se um vetor público de caráter, digamos, uniforme, e seu desenvolvimento responde a uma revolução científica, técnica e industrial - em parte imposta por uma classe burguesa, moderna e cosmopolita, ávida de consumismo. Contudo, a massificação imposta por essa imprensa não foi total, e particularidades afloraram em contextos nacionais. Nas nações pós-colonialistas, o jornal adquire força e capacidade de reconfigurar o espaço, particularizando-se ao imprimir certa cor local à sua produção -  ainda que sob o peso avassalador dos influxos oriundos das metrópoles europeias -, dinâmica que resultou na reunião de jornalistas, homens de letras, intelectuais, tradutores, livreiros, viajantes etc, às voltas com os órgãos de imprensa local, transformando-os em laboratórios de criação literária e redes para a difusão de saberes e ideias.

O escritor, inserido na esfera midiática, ao pensar e construir seu diálogo com o público, com o mundo dos estereótipos e o discurso social em que está imerso, é levado a um escolho de palavras, estilo e formas de expressão, no intuito de adequar sua produção singular ao espaço do jornal. Este, por sua vez, leva o escritor a internalizar os novos ritmos sociais, que supostamente são os de uma sociedade democrática e industrializada, mas também da vida quotidiana, que oferece uma imagem tanto mais trivial quanto mais significativa do real e suas ilusões, razão, talvez, da generosa aclimatação dos folhetins nos periódicos oitocentistas.

No Brasil, o aparecimento da imprensa é simultâneo à chegada da corte portuguesa (1808). A despeito dos instrumentos de censura que vigoraram durante todo o período colonial e de o mercado editorial ver-se restringido à cidade do Rio de Janeiro, o progresso ainda que limitado da imprensa contou, desde o início, com o profissional ligado às letras, algo que faz do jornal veículo disseminador da literatura, transformando a prática cultural da leitura, que, ampliada e popularizada, afasta-se das restrições dos gabinetes de leitura.

É nesse contexto que a imprensa, transmissora de cultura, adquire status e papel ativo na mediação dos discursos; ao atuar como dinâmico centro gerador de conhecimento, modifica, estimula e tonifica diferentes pensamentos, ativando certa interdisciplinaridade que engloba não só a comunicação, premissa jornalística, mas também a sociologia, a história e sobretudo a literatura (incluindo-se aqui a tradução de textos de ficção, a crítica literária e todas as vertentes a elas relacionadas), sobretudo se considerarmos que foi no seio dos jornais que parte dos expoentes de nossa literatura  - Machado de Assis, José de Alencar, Olavo Bilac, João do Rio, Lima Barreto, Júlia Lopes de Almeida, no século XIX, e,  Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, no século XX, dentre tantos outros -, iniciou seu percurso nos jornais.

Para finalizar, a ideia para o próximo dossiê da Revista Jangada, “Literatura e Imprensa”, surge da vontade de divulgar o trabalho de pesquisadores, cujo teor seja a interlocução da literatura com jornalismo em suas diferentes modalidades: do texto ficcional (romance-folhetim, conto, poesia, sátira, tradução etc.) ao de
opinião (crônica e crítica) e tudo o mais que preencha esse diálogo altamente frutífero para o universo literário.

 

Editores deste número

Alvaro Santos Simões Junior – UNESP

Dirceu Magri - UFV

 

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Publicado: 2019-12-22

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